magia das palavras que sacia a sede

quarta-feira, 2 de julho de 2008

vida

o dia chegou puro. os olhares falavam num silêncio onde as palavras tinham todas um nome e
 a eternidade se fechava sobre um corpo parado nas águas, entre os espaços para assistirem ao nascimento das árvores o grito do verão ressoava entre formas mudas, delicadas, impregnadas de delírios imaginários. alguém parte o silêncio e o transforma em sons vergados, sensíveis às palavras vivas, atrás fica uma vida, remexida desabaladamente numa leveza, estrangulada entre dedos olhares bailam enfeitiçados sobre as áscuas... murmuram ao longe, frases ríspidas e frias o vento arrasta soprando as vozes em pedaços, agarrando a vida, que deseja invencível lento, leve e moroso deixa respirar o dia. mergulha na alegria suplicante da voz onde ardem, na alma, chamas de desejo assumido num jogo de amor único escapa-se o pensamento, afunda-se dentro da paixão voraz, espelhada no sorriso dum peito aberto o fio liga a veia, no abraço da morte triunfante, a festa tornou-se imortal, sufoca de júbilo, entre palavras que passam a correr o momento, amadurece na terra cativo do nome que persegue... l.maltez

sexta-feira, 2 de maio de 2008

vem ver-me


tantas vezes te suplico dia a dia
vem ver-me mesmo à noitinha


vem e prende-me nos teus braços,
mesmo que a hora seja tardia
e estejas cheio de cansaços.


vem sentir os meus beijos e meus desejos
quero sentir tua boca
sentir tua mão na minha e teus abraços
tantas vezes te suplico dia a dia
vem ver-me amor mesmo que seja à noitinha!


gostar de ti e amar-te silenciosamente
sofrer assim calada, assim sozinha,
ouvir-te e não poder ver-te
dia e noite lentamente,
vives longe mas que importa
se amar assim é meu desejo
amar-te misteriosamente...
pedir-te para me veres mesmo à noitinha


mesmo que cansado estejas
e que a hora seja tardia


l.maltez


sábado, 29 de março de 2008

entrada da primavera




acordei perplexa
como quem retém
a esperança no olhar
mesmo na margem
aparente do dia
envolvi-me no perfume
da madrugada difusa
e matizada de serenidade

anónima esperei por ti
na entrada da primavera,
e passo a passo
sei que chegas
pontualmente engalanada
exuberante de colorações

retorna o encanto
ressoa a imaginação
resiste assim a eternidade

as horas flúem pelo dia
com o cântico dos pássaros

deixo-te que abarques
este coração
que te aninhes nas recordações
onde a beleza se fixa
onde as paisagens são
horizontes emocionais.

abrigo no corpo o desejo...
emanado de ti
como uma sombra qualquer


l.maltez


domingo, 9 de março de 2008

silêncio



chego em silêncio
sinto o sol nas veias.


uma brisa lava o meu rosto
tenho sede de mar.


deito-me na areia
naquela frescura azul.


caminho em palavras
ligada ao mar e ao sol.


o dia é um vazio entre os espaços
fico indecisa e ardente.


sinto-me perdida entre os ventos
ouço vozes na penumbra desse vazio.


sei o que amo
e amo num abandono total.


sou alguém que espera,
a que pergunta e responde.


uma esperança impossível,


a que caminha no repouso
do seu próprio silêncio.
o meu.



l.maltez

domingo, 24 de fevereiro de 2008

névoa ...


a névoa abraçou a madrugada

sentada ao lado do mar.

os instantes foram brancos

no abatido silêncio,

a sombra confundiu-se.

deslizou sobre o manto do abismo

com cheiro a sonhos queimados


homens circulam na quimera da cidade.

embarcam nos dias caiados de sol

vertiginosos nos hábitos.

nas mãos levam o ruído

de uma música perecível

e ficam prisioneiros

na claridade das ondas do mar revolto


exaustos da névoa

chamam as manhãs,

fedendo o ar

no crepitar

fulgor do sémen.


recomeça sereno

o voo do pássaro madrugador


l.maltez


terça-feira, 26 de dezembro de 2006

e é Natal…




caminho entre o Natal, no silêncio da voz

distinguem-se os homens.

caminho dentro do destino

a que chamo vida,

caminho na lembrança da amargura,

na chaga perdida, de um peito

caminho dentro de um nome

onde medito faminta de amor.

caminho fria e vazia

neste manso Natal.


caminho dentro do mar e da poesia!



l.maltez




Acerca de mim

A minha foto
cidade dos canais, entre o mar e a ria, Portugal
o silêncio das palavras dentro o murmúrio do mar