a névoa abraçou a madrugada
sentada ao lado do mar.
os instantes foram brancos
no abatido silêncio,
a sombra confundiu-se.
deslizou sobre o manto do abismo
com cheiro a sonhos queimados
homens circulam na quimera da cidade.
embarcam nos dias caiados de sol
vertiginosos nos hábitos.
nas mãos levam o ruído
de uma música perecível
e ficam prisioneiros
na claridade das ondas do mar revolto
exaustos da névoa
chamam as manhãs,
fedendo o ar
no crepitar
fulgor do sémen.
recomeça sereno
o voo do pássaro madrugador
helena maltez
