magia das palavras que sacia a sede

quarta-feira, 2 de julho de 2008

vida

o dia chegou puro. os olhares falavam num silêncio onde as palavras tinham todas um nome e
 a eternidade se fechava sobre um corpo parado nas águas, entre os espaços para assistirem ao nascimento das árvores o grito do verão ressoava entre formas mudas, delicadas, impregnadas de delírios imaginários. alguém parte o silêncio e o transforma em sons vergados, sensíveis às palavras vivas, atrás fica uma vida, remexida desabaladamente numa leveza, estrangulada entre dedos olhares bailam enfeitiçados sobre as áscuas... murmuram ao longe, frases ríspidas e frias o vento arrasta soprando as vozes em pedaços, agarrando a vida, que deseja invencível lento, leve e moroso deixa respirar o dia. mergulha na alegria suplicante da voz onde ardem, na alma, chamas de desejo assumido num jogo de amor único escapa-se o pensamento, afunda-se dentro da paixão voraz, espelhada no sorriso dum peito aberto o fio liga a veia, no abraço da morte triunfante, a festa tornou-se imortal, sufoca de júbilo, entre palavras que passam a correr o momento, amadurece na terra cativo do nome que persegue... l.maltez

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cidade dos canais, entre o mar e a ria, Portugal
o silêncio das palavras dentro o murmúrio do mar