magia das palavras que sacia a sede

domingo, 26 de outubro de 2008

recomeçar!


a névoa abraçou a madrugada

sentada ao lado do mar.

os instantes foram brancos

no abatido silêncio,

a sombra confundiu-se.

deslizou sobre o manto do abismo

com cheiro a sonhos queimados


homens circulam na quimera da cidade.

embarcam nos dias caiados de sol

vertiginosos nos hábitos.

nas mãos levam o ruído

de uma música perecível

e ficam prisioneiros

na claridade das ondas do mar revolto


exaustos da névoa

chamam as manhãs,

fedendo o ar

no crepitar

fulgor do sémen.


recomeça sereno

o voo do pássaro madrugador


helena maltez





segunda-feira, 13 de outubro de 2008

encontros

em nós
não foi superável,
o limite dos encontros.
foram cruéis as teias
impostas nas corridas
que selaram os segredos.
renitentes às decisões
os olhares ficaram cruzados
como obstáculos inexequíveis.
foi um amor salteador,
em portas com fendas.
seduções
sorvidas
de um tu e eu,
encontros sentidos
nos caminhos da magia.
e
foram
encontros e mais encontros
resistentes à palavra,
fruto de um amor maduro

assim a demora fervilhou,
nas noites dos enleios!



helena maltez

quarta-feira, 2 de julho de 2008

vida

o dia chegou puro. os olhares falavam num silêncio onde as palavras tinham todas um nome e
 a eternidade se fechava sobre um corpo parado nas águas, entre os espaços para assistirem ao nascimento das árvores o grito do verão ressoava entre formas mudas, delicadas, impregnadas de delírios imaginários. alguém parte o silêncio e o transforma em sons vergados, sensíveis às palavras vivas, atrás fica uma vida, remexida desabaladamente numa leveza, estrangulada entre dedos olhares bailam enfeitiçados sobre as áscuas... murmuram ao longe, frases ríspidas e frias o vento arrasta soprando as vozes em pedaços, agarrando a vida, que deseja invencível lento, leve e moroso deixa respirar o dia. mergulha na alegria suplicante da voz onde ardem, na alma, chamas de desejo assumido num jogo de amor único escapa-se o pensamento, afunda-se dentro da paixão voraz, espelhada no sorriso dum peito aberto o fio liga a veia, no abraço da morte triunfante, a festa tornou-se imortal, sufoca de júbilo, entre palavras que passam a correr o momento, amadurece na terra cativo do nome que persegue... l.maltez

sexta-feira, 2 de maio de 2008

vem ver-me


tantas vezes te suplico dia a dia
vem ver-me mesmo à noitinha


vem e prende-me nos teus braços,
mesmo que a hora seja tardia
e estejas cheio de cansaços.


vem sentir os meus beijos e meus desejos
quero sentir tua boca
sentir tua mão na minha e teus abraços
tantas vezes te suplico dia a dia
vem ver-me amor mesmo que seja à noitinha!


gostar de ti e amar-te silenciosamente
sofrer assim calada, assim sozinha,
ouvir-te e não poder ver-te
dia e noite lentamente,
vives longe mas que importa
se amar assim é meu desejo
amar-te misteriosamente...
pedir-te para me veres mesmo à noitinha


mesmo que cansado estejas
e que a hora seja tardia


l.maltez


sábado, 29 de março de 2008

entrada da primavera




acordei perplexa
como quem retém
a esperança no olhar
mesmo na margem
aparente do dia
envolvi-me no perfume
da madrugada difusa
e matizada de serenidade

anónima esperei por ti
na entrada da primavera,
e passo a passo
sei que chegas
pontualmente engalanada
exuberante de colorações

retorna o encanto
ressoa a imaginação
resiste assim a eternidade

as horas flúem pelo dia
com o cântico dos pássaros

deixo-te que abarques
este coração
que te aninhes nas recordações
onde a beleza se fixa
onde as paisagens são
horizontes emocionais.

abrigo no corpo o desejo...
emanado de ti
como uma sombra qualquer


l.maltez


domingo, 9 de março de 2008

silêncio



chego em silêncio
sinto o sol nas veias.


uma brisa lava o meu rosto
tenho sede de mar.


deito-me na areia
naquela frescura azul.


caminho em palavras
ligada ao mar e ao sol.


o dia é um vazio entre os espaços
fico indecisa e ardente.


sinto-me perdida entre os ventos
ouço vozes na penumbra desse vazio.


sei o que amo
e amo num abandono total.


sou alguém que espera,
a que pergunta e responde.


uma esperança impossível,


a que caminha no repouso
do seu próprio silêncio.
o meu.



l.maltez

domingo, 24 de fevereiro de 2008

névoa ...


a névoa abraçou a madrugada

sentada ao lado do mar.

os instantes foram brancos

no abatido silêncio,

a sombra confundiu-se.

deslizou sobre o manto do abismo

com cheiro a sonhos queimados


homens circulam na quimera da cidade.

embarcam nos dias caiados de sol

vertiginosos nos hábitos.

nas mãos levam o ruído

de uma música perecível

e ficam prisioneiros

na claridade das ondas do mar revolto


exaustos da névoa

chamam as manhãs,

fedendo o ar

no crepitar

fulgor do sémen.


recomeça sereno

o voo do pássaro madrugador


l.maltez


Acerca de mim

A minha foto
cidade dos canais, entre o mar e a ria, Portugal
o silêncio das palavras dentro o murmúrio do mar