magia das palavras que sacia a sede

domingo, 24 de fevereiro de 2008

névoa ...


a névoa abraçou a madrugada

sentada ao lado do mar.

os instantes foram brancos

no abatido silêncio,

a sombra confundiu-se.

deslizou sobre o manto do abismo

com cheiro a sonhos queimados


homens circulam na quimera da cidade.

embarcam nos dias caiados de sol

vertiginosos nos hábitos.

nas mãos levam o ruído

de uma música perecível

e ficam prisioneiros

na claridade das ondas do mar revolto


exaustos da névoa

chamam as manhãs,

fedendo o ar

no crepitar

fulgor do sémen.


recomeça sereno

o voo do pássaro madrugador


l.maltez


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cidade dos canais, entre o mar e a ria, Portugal
o silêncio das palavras dentro o murmúrio do mar